30 de Maio de 2012

O Capitalismo e os horizontes sem limites

Costanzo Preve é uma pessoas esquisita.

Nascido em Valenza, cidade do Norte de Italia, perto do rio Po, onde são produzidos biscoitos e jóias de ouro, Preve desde cedo foi atacado por uma grave doença: o Comunismo.

Apesar disso, conseguiu estudar e entrar em contacto com os intelectuais políticos do seu tempo, com os quais estudou: Jean Hyppolite, Louis Althusser, Jean-Paul Sartre, Roger Garaudy, e Gilbert Mury.
Uma vez acabada a universidade, Preve finalmente assumiu a própria diversidade e entrou no Partido Comunista Italiano, no qual ficou até este desaparecer.

Então Preve começou a recuperar não o Comunismo mas Marx. E percebeu. Percebeu que Marx não era comunista: Marx era um economista e um idealista. E mais: nem era tão original, pois as bases de Marx podem ser encontradas em Hegel.

Hoje Preve é uma pessoa finalmente tratada, que tenta recuperar o Marxismo numa visão antropológica, não comunista.
O Marxismo é outra coisa, é um -ismo sistematizado, mas Marx nunca sistematizou o próprio pensamento. Este foi produzido ao longo de 20 anos por Friedrich Engels e Karl Kautsky. A cena primitiva do Marxismo, para utilizar a linguagem de Freud, é uma forma de positivismo de esquerda na tradição progressista do Iluminismo.
Preve é hoje um Marxista, não um Comunista. Esta é uma diferença importante. Ao ponto que Preve dialoga com Alain de Benoist, cujas raízes ideológicas podem ser encontradas na extrema direita, e admira Marine Le Pen. Coisa que obviamente faz enfurecer todos os Comunistas. Mas Preve simplesmente não liga e continua na procura duma sociedade melhor, baseada numa verdadeira análise de Marx. E não do Comunismo.

Esta é uma entrevista de Asia Times.

Professor Preve, de acordo com o seu ponto de vista marxista, podemos dizer que a globalização é o estágio final do capitalismo?

Esta obsessão da fase final tem levado a muitos erros no passado, devemos ser cuidadosos em usar essas palavras. A história nega categoricamente qualquer diagnóstico de fase final. A globalização é a fase final do capitalismo? Eu realmente não sei, não usaria essa expressão. Ao contrário do homem, que passa da juventude à maturidade e depois à sua fase final, a história continua enquanto a Terra gira em torno do Sol.

Eu diria que a globalização é um novo padrão, um salto quântico na produção do mundo capitalista. Mesmo imperialismo do século 19 era uma espécie de globalização: ao estudar Fernand Braudel e Immanuel Wallerstein, vê-se que o comércio mundial já existia em 1500, mas mesmo que os navios espanhóis, portugueses, holandeses e ingleses pudessem chegar a qualquer porto, essa tendência não era ainda puramente económica. A globalização é a lógica da produção capitalista na sua essência.

Então o desenvolvimento histórico teve que esperar o desenvolvimento da tecnologia moderna?

Faltava a tecnologia, claro, mas talvez mais importante havia ainda grandes áreas do mundo pré-capitalista, com escravidão, feudalismo, aristocracia. Portanto, não é apenas uma questão de tecnologia, mas de saturação geográfica. A globalização é a saturação do mundo capitalista: não acho ser esta a sua fase final, mas certamente é um momento crucial na história humana.

Na sua revisão da história da dialéctica do capitalismo, já definiu o capitalismo como "horizonte ilimitado" contra o "metron", o sentido grego do limite e de harmonia. O que sugere é uma ré-apropriação do "limite" em contraste com a fome sem fim, o desejo de acumular infinito da globalização. Não acha que esse caminho inteiramente dentro da cultura ocidental, pode soar estranho para as sociedades chinesas ou indianas?

O cristianismo medieval, depois da cultura grega e da romana, são internas ao mundo ocidental. O colonialismo exportou militarmente  tudo isso a partir da da Europa durante os séculos 17, 18, e 19.

Na Ásia, havia civilizações antigas com as suas identidades desenvolvidas de forma bastante diferente do que chamamos judaico-cristão.

O impressionante sucesso do capitalismo em países como China, Índia, Tailândia, Malásia, Coreia do Sul, mostra que não estamos seguindo um Calvinismo secular, porque isso só faria sentido dentro de uma história ocidental. Na minha opinião, é mais um sinal de que o capitalismo provocou profundos conflitos existentes nestas culturas, mesmo que as principais tradições nacionais tivessem sido completamente diferentes. Acredito que a globalização gerou uma tempestade, um tsunami económico, o que talvez não uniu o mundo, mas criou uma série de problemas comuns que nos séculos anteriores não existiam.

A teoria marxista diz que o capitalismo carrega dentro de si as contradições que levam à sua superação. No entanto, as previsões marxistas nunca foram realizadas e o capitalismo globalizado (ao contrário dos Estados) aparentemente goza de excelente saúde. A classe operária, primeiro vista como um possível veículo para a mudança, está em desordem: em qual identidade colectiva podemos encontrar uma alternativa?

O neo-capitalismo traz com ele muitas contradições. Por exemplo, é incompatível com qualquer forma de economia keynesiana. Para enfrentar uma crise uma Nação desvaloriza a moeda ou desvaloriza o custo do trabalhista. O caso da Europa é cristalino.

A União Europeia foi fundada num modelo neo-liberal, certamente não social-democrata. Isso significa equilíbrio orçamental e luta contra a inflação monetária. Se um Estado perde o controle sobre a moeda nacional, a única coisa que pode dar-lhe uma vantagem competitiva é a desvalorização da força de trabalho. Esta e´a nossa situação, e é por isso que sou contra esta Europa. Não vejo alternativa senão a de voltar às moedas nacionais.

O Euro tem sido um erro histórico. O seu objectivo era tornar a Europa uma entidade competitiva na globalização. Consequentemente, o continente já não é capaz de lidar com a globalização, mas será puxado cada vez mais dentro da lógica mais perversa: a desvalorização do trabalho humano. A globalização tem sido a descentralização da produção do trabalho, a insegurança, a flexibilidade e a falta de futuro. O próprio facto de que estas coisas sejam ditas apenas por forças marginais, como Beppe Grillo em Itália ou Le Pen na França, significa que o establishment, Direita e Esquerda, que tem o acesso aos media, decidiu apoiar o Euro escondendo as verdadeiras consequências desta escolha. É por isso que vivemos numa esquizofrenia que tende a piorar com a idade.

O leitmotiv da globalização são os direitos humanos, à primeira vista este parece ser um aspecto positivo da universalização. No seu livro O Bombardeio Ético ataca a filosofia dos direitos humanos com "geometria variável".

Os direitos humanos desempenham a mesma função do "fardo do homem branco" durante a era colonial: a difusão da civilização ocidental contra a barbárie, com os missionários e as canhoneiras. Eu acho a política do direitos humanos totalmente negativa.

Teoricamente falando, os direitos humanos derivam da teoria do Jusnaturalismo, uma teoria já conhecida pelos estóicos, levada em frente pelo cristianismo e que tomou a forma actual com o trabalho de muitos pensadores em 1500-1600.

O conceito começou a declinar em 1800 com a ascensão do positivismo de David Hume, o fundador da moderna economia política, que criticou a teoria dos direitos humanos, argumentando que tal direito não existe e que a "única coisa que realmente existe é o inclinação das pessoas para a troca.

Aqueles que falam de direitos humanos fazem um inútil exercício de metafísica. Porque esses direitos humanos, destruídos com o nascimentos da política económica britânica, são agora recuperados, especialmente após os julgamentos de Nuremberg, como uma ideologia ocidental de controle?

Os direitos humanos são um ideal com geometria variável, porque quem decidir o que é humano e o que não é são as principais oligarquias económicas e os líderes destas: os professores universitários e os jornalistas. A Esquerda adoptou plenamente a teoria dos direitos humanos de geometria variável.

Esta teoria torna impossível qualquer análise do mundo, estrutural, económica e social. Estamos sempre diante de um ditador contra todo um povo, seja Slobodan Milosevic, Saddam Hussein, Muammar Gaddafi ou agora o presidente da Síria, Bashir al-Assad.

Por isso, é cada vez mais impossível analisar as contradições históricas e as razões sociais e religiosas. As pessoas são artificialmente sobreposta a este ponto de vista aparentemente justo, mas na verdade errado, porque é a premissa de uma intervenção militar sangrenta.

Vivemos numa era puramente orwelliana: a guerra se chama paz, os soldados no Afeganistão são chamados "mantenedores de paz" mas são mobilizados contra os insurgentes em nome de interesses geo-estratégicos dos Estados Unidos. Na realidade, é impossível atingir o objectivo da política dos direitos humanos: uma verdadeira universalização da condição humana em todo o mundo. É o equivalente moderno da teoria racial de Hitler. Sei que esta frase pode parecer loucura, extrema e paradoxal, mas acho ser esta a verdade.

Os meios de comunicação apenas descrevem a globalização, ou, como diz Noam Chomsky, têm também um importante papel de apoio ideológico?

Cícero escreveu: "Não entendo como o aruspice [o adivinho dos Romanos, ndt] não desatou a rir quando nos encontrou. Eu pergunto porque os jornalistas não fazem o mesmo. Os principais meios de comunicação vêm dizendo há mais de um ano que o governo de Assad está prestes a cair na Síria, mas Assad ainda detém o poder e alguém da oposição, al-Qaeda ou outros, usam bombas contra os civis.

Vivemos o paradoxo no qual os nossos rapazes são ruins, enquanto os outros parecem relativamente normais. Os media criaram um universo paralelo para guiar o mundo real na direcção escolhida pelos oligarcas. Os meios de comunicação agora têm a mesma função que os alto-falantes, ou melhor, os sacerdotes durante a Idade Média. [...]

A sociedade em que vivemos é sempre tripartidas, com bellatores, oratores e lavoratores [são as três ordens que compõem a sociedade tripartita medie­val: oratores (aqueles que rezam), bellatores (aqueles que combatem) e laboratores (aqueles que trabalham), ndt]. A primeira camada é a oligarquia financeira, em muitos aspectos transnacional mas fundamentalmente enraizada no nível nacional. Em seguida, há o clero. E depois a grande massa dos trabalhadores que estão divididos porque, obviamente, não há nada em comum entre os trabalhadores garantidos da Europa e a massa dos pobres do Terceiro Mundo.

É agora um pensamento comum que o centro do poder mundial está a mudar-se para Oriente. A administração Obama está a ajustar a sua doutrina estratégica para enfrentar a China no Pacífico e na África. É verdade que o declínio da Europa é inevitável?
Antes de responder, deixe-me dizer que, apesar do seu crescimento internacional, a China não quer exportar o seu modelo: na cultura chinesa não há traços de missões que trazem a verdade aos outros num mundo onde não existem limites naturais mas apenas fronteiras.

A expansão chinesa em África é só económica. Desde que a África deixou de ser o quintal de França e Grã-Bretanha, Pequim começou a busca de matérias-primas na competição geo-estratégica com Washington. Os interesses americanos no Oriente começaram a tomar forma durante a Segunda Guerra Mundial, a vasta rede de bases militares norte-americanas no Atlântico ou no Pacífico mostra que Washington continua ancorada ao velho esquema, apesar do declínio da Europa.
Na verdade, a Europa suicidou-se e já não existe como uma entidade política. A Europa de 1989, com o colapso do comunismo, perdeu a chance de obter a sua independência.

Falando recentemente para o Europe´s Day, o presidente do Conselho Europeu, Van Rompuy, disse que nunca existirão os Estados Unidos da Europa.

A existência dos Estados Unidos da Europa implicaria o desmantelamento das bases norte-americanas: como poderia teria existido a democracia ateniense com bases espartanas juntas da Acrópoles? A Europa decidiu desaparecer como consequência do sentido de culpa política para o Holocausto.

A religião do Holocausto trouxe a Europa para um estado de imaturidade perpétua. A mensagem é esta: se deixados sozinhos, nós Europeus voltaremos a cometer crimes horríveis, não podemos ser deixados sozinhos, precisamos sempre de alguém que controle, porque fascistas e comunistas estão sempre prontos a tomar o poder. Esse "alguém" é, obviamente, o império americano.


Ipse dixit.

Fonte: Asia Times

A Dívida: Bau vs. Miau

Ainda com esta raio de Dívida Pública?

Com certeza. É preciso. Lamento, mas é preciso perceber o que se passa. E não apenas perceber: é preciso ler, ingerir e digerir. Podem chama-la "lavagem cerebral", como aquela feita diariamente pelos media, só que aqui o sentido é inverso.

Mais: é importante porque o mecanismo da dívida está ligado à Modern Money Theory, da qual falámos no recente passado.

Muitas vezes já disse que a austeridade não é a solução: pelo contrário, piora a situação.

Agora, o que digo eu não conta muito. Mas se o mesmo for dito por um economista? Mais: se for demonstrado por um economista? Mais: se for dito e demonstrado por um cão economista?

- Olá Leo.
- Saudações para todos os Leitores de Facebook.
- Não temos Facebook. Que dizer, temos mas não funciona.
- Cada vez pior este blog...
- Temos Tweeter
- Tweeter é para deficientes.
- Ok, vamos em frente. Leo, vieste para explicar algo importante acerca da dívida pública, não é?
- Claro. É preciso. Por isso vou ler alguns trechos dos Actos dos Economistas, a base histórica de qualquer estudo sério no âmbito da economia canina. Que, como sabes, é bem superior à economia humana.
- Óbvio...
- Comecemos. Livro V:
Naquele tempo existia na Terra um País feliz, chamado Ossilândia. O Deus Bau tinha feito de Ossilândia um pequeno jardim com maravilhosas florestas de urtigas, Invernos gélidos e Verões mais do que quentes, praias espectaculares não tivesse sido pelas fortíssimas correntes oceânicas que diariamente matavam dezenas de pescadores. Isso para não falar da terra, da qual brotavam deliciosas beterrabas rijas e amargas.
- Um Paraíso...
- Claro, o Deus Bau não brinca. Mas continuemos:
Ossilândia era uma País feliz, com praças frequentadas por mercantes de todas as Nações que compravam as beterrabas. As pessoas rezavam, respeitavam o Sábado e também os Domingos, um pouco menos as Segundas-feira, mas o Deus Bau gostava deste cantinho de terra. Até que um dia o sacerdote Akryb correu até o Palácio do Rei.
- Então Ossilândia tinha um Rei. E qual era o nome dele?
- Nuno. Mas vamos ler:
"Grande Rei Nuno, um praga atingiu Ossilândia!" disse Akryb.
E Rei Nuno perguntou "Fala Akryb, qual praga?"
Akryb pegou nos livros da contabilidade e explicou: "Grande Rei Nuno, o ano acabou mal: um PIB de 5 milhões de Libras e uma dívida de 6 milhões de Libras. Isso significa que o rácio dívida/PIB é de 6/5, isso é: 1,2. Dito de outra forma, Grande Rei Nuno: a dívida alcançou 120% do PIB"
- Ehhh?
- Ó Max, são contas, não é? Um rácio dívida/PIB 6/5 significa 1,2. O que, por sua vez, indica uma dívida 120% do PIB.
- Tens a certeza? É que eu com a matemática...
- Já sei, já sei...confia no teu cão, é mesmo assim.
- Ok. E depois?
O Grande Rei Nuno ficou alarmado e convocou uma reunião com todos os sábios do País. "Ó Grandes Sábios, uma terrível praga perturba as noites de Ossilândia: a dívida pública é agora 120% do PIB!" anunciou. "OHHHH!!!!" responderam os Sábios.
- Não é grande coisa como resposta...
- Os sábios não podem ser precipitados.
- Justo, Leo, justo.
Entre os Sábios havia Matusacão, o qual tinha sempre consigo uma versão portátil dos Onze Mandamentos. E assim falou: "Grande Rei Nuno, este não é um verdadeiro problema, pois o décimo-primeiro Mandamento diz Não ligar à dívida. E esta é a Palavra do Deus Bau."
- O Deus Bau fala da dívida também?
- Claro, o Deus Bau fala acerca de tudo. Mas o Rei Nuno não estava convencido, sobretudo porque o espírito do terrível Miau tinha tomado posse da alma dele.
- Miau?
- Sim, é o vosso Satanás.
- Claro. Então que aconteceu?
- Vamos ler:
Então o Grande Rei Nuno começou a gritar "Austeridade! Austeridade para todos os filhos de Ossilândia! Fizeram a boa vida, viveram acima das possibilidades: mas agora acabou!". E austeridade foi.
- Austeridade?
- Claro, Max: o terrível Miau fez crer ao Grande Nuno que o rácio de 120% era uma coisa terrível. Então o Rei Nuno decidiu implementar a austeridade para que o rácio voltasse a ser não mais do que 100%.
- Ahhh...e depois?
- Calma.
Passado que foi um ano, o sacerdote Akryb voltou a correr até o Palácio do Rei. "Grande Rei Nuno, Grande Rei Nuno: o rácio subiu ainda mais!!!"
- Ainda mais?
- Com certeza.
- Mas como é possível? Não tinham implementado a austeridade?
- Calma, continuemos a ler:
Naquele tempo havia numa pequena aldeia um jovem, Zé Noé, filho dum carpinteiro e duma engomadora. Zé Noé tinha sido tocado pela Graça do Deus Bau. Então foi até a cidade e pediu para falar com o Grande Rei Nuno.
"Fala Zé Noé, e que o Deus Bau ilumine as tuas palavras!" disse o Rei.
E Zé Noé assim falou: "Y = C + G + I + NX"
"Eh?" perguntou o Rei.
E Zé Noé repetiu: "Y = C + G + I + NX!"
- Zé Noé tinha alguns problemas de fala?
- Nada disso. Continuemos:
"Em verdade, em verdade eu digo: é simples" explicou Zé Noé.
"Y é o Produto Interno Bruto que é formado por: 
C os consumos privados
G os consumos públicos
I formação do capital líquido
NX as exportações
Grande Rei Nuno, se no teu Reino ninguém gastasse dinheiro, se ninguém comprasse beterrabas, então ninguém ganharia nada e nem teria sentido produzir. É por isso que o PIB coincide com os gastos das famílias (C), do Estado (G), das empresas (I) e do estrangeiro (NX)."
-Ó Leo, isso é muito complicado...
- Para o teu cerebrinho sim, sem dúvida. Mas na verdade é simples: o PIB é a riqueza do País e a riqueza o que é afinal? A riqueza não é uma pilha de ossos ou de moedas fechadas num cofre, a riqueza é a movimentação de dinheiro, de bens. Sem todos mantivessem os próprios bens fechados num cofre, o PIB do País seria zero.
-"Zero"?
- Claro Max, claro. Qual a definição do PIB?
- Espera que vou ver...aqui, na Wikipedia diz assim: O produto interno bruto (PIB) representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região (quer sejam países, estados ou cidades), durante um período determinado (mês, trimestre, ano, etc).
- Viste? Diz "produzidos" não "guardados". E como são "produzidos"? Com a aquisição de bens que permitem a criação e a venda de outros bens.
- Faz sentido.
- Claro que faz, este é um dos grandes ensinamentos de Bau:
Então Zé Noé explicou: "Meu Grande Rei Nuno, quiseram introduzir a austeridade apesar disso ir contra às palavras do Deus Bau. E que aconteceu? Aconteceu que diminuíram os salários, cortaram os serviços. Isso significou baixar o valor G. Mas ao baixar o valor G, o resultado final Y baixou também, porque Y (o PIB) é apenas o somatório de vários valores entre os quais há G.. Esta, Grande Rei Nuno, chama-se recessão".
- Ehi Leo, a recessão!
- Óbvio. Se o PIB for formado pelos vários gastos, ao reduzir um deles reduzimos também o PIB.
- Ehi, Leo, espera. Mas isso significa que se um País estiver em crise, a solução melhor não será "cortar" mas fazer que seja possível gastar mais.
- Entendeste agora? Foi o mesmo que disse o Rei Nuno:
"Zé Noé, isso significa que se Ossilândia estiver em crise, a solução melhor não será "cortar" mas fazer que seja possível gastar mais" disse Rei Nuno, finalmente tocado pela Graça de Bau.
"Exacto" respondeu Zé Noé, "esta é a palavra do Bau o Omnisciente. No ano passado o PIB era 5, agora é 4. A dívida desceu? Com certeza, graças aos cortes hoje é 5. Mas atenção, Grande Rei Nuno: no ano passado o rácio era 6/5 (6 o valor da dívida, 5 o valor do PIB), que dá 120%. Hoje o rácio é 5/4 (5 a dívida, que baixou, 4 o PIB que baixou também): e um rácio 5/4 significa 125%." 
- Fantástico Leo, muito bom mesmo, até eu percebi.
- Espantoso, de facto...
- ...e que aconteceu depois?
- Aconteceu que o espírito malvado de Miau abandonou o corpo do Rei Nuno entre nuvens de fumo cinzento e chamas. Ossilândia voltou a crescer e as beterrabas surgiram mais amargas e mais rijas do que nunca.
- E Zé Noé?
- Foi crucificado para que não pudesse revelar de ter visto o Grande Rei Nuno possuído pelo terrível Miau.
- ...!!!


Ipse dixit.

(Por incrível que pareça, a formula Y = C + G + I + NX com relativa explicação aparece também no blog do Professor Alberto Bagnai. O qual, esta é a única explicação, deve conhecer os Actos dos Economistas e a relativa epopeia de Zé Noé.)

29 de Maio de 2012

Entre gnomos e dragões

Economia. Pois.
Também a Economia sofre dos mesmos males que afligem a informação mainstream?
Sim, sem dúvida.

Pior: como a informação mainstream descreve o mundo "real", é obrigada a manter uma certa ligação com aquilo que os leitores podem observar. No caso da economia não há este tipo de limite, pois segundo as pessoas este é um assunto "complicado", "obscuro", algo que é melhor deixar nas mãos dos "especialistas".

Implicitamente é uma licença para dizer tudo e o contrário de tudo. É exactamente isso que acontece.

E o resultado é que todos, sem excepção nenhuma, ficamos retidos nas explicações dos especialistas. Explicações que nem são postas em dúvida. E como poderiam? Na altura em que decidirmos que devem ser outros a tratar dum problema, perdemos a possibilidade de saber quais as visões alternativas, porque simplesmente estas não são apresentadas.

Exemplo prático: porque há crise na Europa? Reposta: porque os Estados endividaram-se muito ao longo das passadas décadas, gastaram sem limites ao ponto que as suas dívidas públicas dispararam.
Esta é a explicação que todos, sem excepção, consideram como verdadeira: é repetida por todos os órgãos de informação, sejam mainstream ou alternativos. .

Problema: é falsa. Totalmente falsa.
Não são eu que afirmo isso, são os dados.
Façam o favor de observar este gráfico:

As ovelhas alternativas

Mah...

Salto na internet, um pouco aqui, um pouco aí...até mudo de idioma, nunca se sabe. Mas o resultado não muda. É só queixar-se, apontar as falhas, os erros do sistema, a frustração.

Parem um pouco e perguntem: mas não haverá algo que está a fugir-nos? Tranquilos, não quero começar com a história do "temos que fazer alguma coisa, acção, mexam-se". Acho que nesta altura do campeonato certas coisas devem estar claras, inútil repetir.

O discurso é outro, um pouco mais complexo.

Alternativas: uma má, outra pior

Quem desejar encontrar notícias tem duas opções: ou confia na informação de regime ou tenta espreitar a informação alternativa.

A informação de regime (mainstream) é conhecida: passam notícias, com certeza, mas na maior parte dos casos não aquelas que interessam ou que podem ser definidas como realmente úteis.

Então o leitor acede ao mundo da informação alternativa: e aqui encontra o caos total. Não "um pouco de confusão", não, o caos total mesmo. Há teorias para todos os gostos, desde a loucura total até o razoável.
Mas existem alguns pontos em comum, os seguintes:
  • relatórios de notícias e/ou factos negativos
  • apresentação de teorias que justificam as notícias negativas
  • falta de soluções viáveis.
Isso no geral, depois há excepções.

28 de Maio de 2012

A sociopata

O quê? Um outro post? Mas que raio de blog é este? E a bexiga de Voz?
Calma, calma...é o último post de hoje; e à Voz já aconselhei um balde perto do ecrã, em caso de emergências...

É só para realçar as palavras da peruca de Christine Lagarde, fascinante directora do Fundo Monetário Internacional.
A simpática Christine era entrevistada pelo britânico The Guardian quando, numa rara altura de sinceridade, afirmava:
É preciso que os Gregos comecem a ajudar-se reciprocamente, pagando as taxas.
Porque é verdade: a melhor forma de ajudar é pagar as taxas. Doutro lado, mesmo neste blog, aparecem muitas pessoas que não querem destinar para os desempregados as sobras dos restaurantes, melhor que fiquem no lixo. Pois este tipo de ajuda humilha, a solidariedade mata a alma das pessoas.

Pagar as taxas, pelo contrário, é vida. Não a vida de todos, mas no caso dos bancos privados sim, sem dúvida. Eu mesmo não consigo imaginar uma ajuda melhor.
Os pais gregos têm que pagar as taxas.
Repetiu mais logo, caso não tivesse ficado claro da primeira vez.
É importante repetir. Desta forma um grego que se levante de manhã não pode ter dúvidas. "O que tenho que fazer hoje? Ah, pois, tenho que pagar as taxas, óbvio. Mas já paguei ontem...não faz mal, pago outra vez, já que perdi o trabalho e não tenho mais nada para fazer...".

Sondagem

...de facto no fundo do blog há um fórum muito pouco utilizado.
Por isso, à direita, uma sondagem: o que fazer com o fórum?

Tempo até Domingo para responder.
E, desde já, obrigado!

Entretanto à esquerda aparece o espaço para Tweeter. Se alguém estiver inscrito e quiser participar será bem-vindo, como óbvio.

Ipse dixit.

A economia "inútil"

Imaginemos: o Leitor tem um determinado montante e pretende entrar no mundo dos negócios para tornar o capital produtivo e juntar uns lucros que dão sempre jeito.

Como primeiro acto, contacta uma agência especializada e encomenda uma pesquisa de mercado para entender qual a situação: basicamente, como o mercado está orientado, o que pede.

Em seguida, decide qual o bem que será produzido, de acordo com os custos de produção e de distribuição, mais algumas características de acordo com as capacidade do Leitor e a visão das coisas.

Quantificado como 100 o capital que deseja investir, o Leitor destina uma mínima parte para os custos relacionados com a produção do bem, enquanto o resto (a grande maioria) é investido numa maciça campanha publicitária conduzida com um slogan atractivo que aponte directamente para o cérebro das pessoas.
Desta forma, o Leitor cria uma necessidade que antes não existia, nascido tendo como base o condicionamento da sugestão e a persuasão forçada. Muito simples.

As orelhas do rato da Tasmânia

Na verdade, o produto que o Leitor vende agora é inútil: na melhor das hipóteses é supérfluo, pois é apenas um entre os milhares de produtos expostos nas prateleiras de qualquer supermercado, todos com a mesma função. Pode chamar-se Danacol, Actimel, Bifidus Essensis, Acti Regularis e pode ser descrito como algo que faz emagrecer dormindo, tipo Somatoline Cosmetic. O limite é a fantasia.

Nos últimos tempos é moda realçar um ingrediente exótico: a aloe vera, as água do Mar Vermelho, os sais do Himalaya, os pelos das orelhas do rato da Tasmânia, todos com propriedades quase mágicas. Também neste caso é apenas uma questão de criatividade.

25 de Maio de 2012

Sim, mas afinal o que merecemos?

Pessoal,
obrigado pela participação, mas queria realçar uma coisa: eu não me queixo do número das visitas, não é isso que está em causa.

Já disse muitas vezes que se a ideia fosse ter dezenas e dezenas de comentários, então teria aberto bem outro tipo de blog, isso é mais do que óbvio.

Os Leitores são poucos? Para mim não são: centenas de pessoas que diariamente consultam o blog ou recebem os artigos via e-mail ou feed não é pouco na minha óptica (e sempre considerando os temas tratados).

Reportei o número dos comentários como simples comparação: quando o assunto for uma teoria da conspiração, os comentários "disparam" (sempre relativamente à média do blog), quando o assunto for a realidade, os comentários baixam ou até desaparecem.

Estes são factos e são tristes.

O que merecemos

Cada vez que o assunto for uma teoria da conspiração os comentários não faltam.
As teorias da conspiração têm poderes inesperados.

Perguntas: o que é uma commodities?
É só olhares perdidos.
Perguntas: mas como é possível acreditar em algo como o Projecto Blue Beam?
E as respostas não faltam. Até pareces um idiota a negar certas coisas, o mítico von Braun falou disso, imaginas só.

Dois anos deste raio de blog deitados no lixo, isso é que é. Um trabalho inútil, totalmente inútil.
Qual pode ser a função dum blog? Tentar explicar determinadas coisas, sem dúvida, mas a real utilidade é poder servir de estímulo, só isso.
Tu dizes "pensem com a vossa cabeça". E a resposta é um copy-paste do que está escrito em outras páginas da internet. Espero que seja um copy-paste, espero que não haja pessoas que conheçam de cor certas coisas.

24 de Maio de 2012

Ruby

No excelente blog Tra Cielo e Terra descobri um aterrador vídeo que, supostamente, fala de senhoiragem.
Um tema complexo, muito complexo, que aqui é tratado por...Ruby!

"Quem é Ruby?" perguntará o Leitor.
Bem, Ruby é...como explico...Ruby é uma rapariga de Marrocos, verdadeiro nome Karima El Mahroug, de 18 anos, conhecida em Italia por estar no centro do escândalo sexual que viu implicado Silvio Berlusconi.
De forma mais simples: Ruby era a amante de Berlusconi.

Agora, que Ruby tenha decidido não desaparecer do planeta já é espantoso. Mas inacreditável é que agora apareça para falar de senhoiragem e Grupo Bilderberg.

Grupo Bilderberg? Exacto, o novo fenómeno pop, como já realçado no post Bananização.

Movimento 5 Estrelas: és tu que escolhes

Um exemplo.
E, embora possa parecer esquisito, desta vez chega de Italia.
Ainda mais esquisito: do assunto fala um diário português, o Público, do qual reporto o artigo de hoje.

Enquanto o primeiro ministro Mario Monti fala de combater a Máfia, os velhos partidos políticos entraram numa espiral de destruição.

Não admira no caso de Berlusconi: o seu Partito delle Libertá (Partido das Liberdades) simplesmente não existia, o partido era o mesmo Berlusconi, que já saiu da política para entrar nos tribunais.
Não admira no caso da Lega Nord, que há muito tinha deixado de ser uma alternativa para tornar-se um simples partido de poder em Roma ("Roma ladra" como era chamada quando a Lega ainda tinha um sentido).

O que admira é a queda do Partito Democratico (Partido Democrático, PD), a Esquerda histórica italiana, os herdeiros de Antonio Gramsci.

Estas eleições eram como uma grande penalidade numa baliza sem guarda-redes. E o PD conseguiu o impossível: fazer autogolo.

Margem Sul

Uma pequena novidade que em princípio interessará apenas alguns Leitores.

Introduzi o blogroll "Realidade Local: Margem Sul" que reúne alguns dos blogues editados na Margem Sul, a região na margem sul do Tejo, mesmo em frente de Lisboa. Blogroll ainda está em fase de construção.

É dedicado a todos os Leitores de Almada e zonas confinantes (que descobri não serem poucos!) que, desta forma, vêm reunidos os links para as notícias e as opiniões locais (mas há mais do que isso: arte, poesias, imagens...).

Pareceu-me uma maneira engraçada de homenagear a zona onde vivo há alguns anos. Uma boa zona, diga-se, apesar dos muitos problemas.

Para os outros Leitores fica como "janela" aberta sobre a realidade portuguesa.

Só isso.

Blue Beam: Deus em 3D (de borla!)

O que é o projecto Bluebeam?
Como pouco sei acerca do assunto, vamos ler o que diz o blog A Nova Ordem Mundial:

O Projeto Blue-Beam, segundo alguns, é um plano super secreto orquestrado em parte pela NASA, e que em quatro etapas tentaria nada menos que o primeiro ataque de falsa bandeira global, com a ajuda da tecnologia holográfica tridimensional.

De acordo com Serge Monast, o Projeto Blue Beam será composto de quatro etapas: culminando em uma espécie de apocalipse de radiação ELF (Frequencia extremamente baixa):

Na primeira, terremotos iriam expor novas descobertas arqueológicas, que supostamente revelariam que as doutrinas mais básicas de todas as religiões foram incompreendidas e mal interpretadas.

Na segunda etapa, a imagem de Deus falando em todas as línguas iria aparecer em um show espacial gigantesco com projeções de laser de imagens holográficas tridimensionais em todo o mundo.

23 de Maio de 2012

Perder uma final?!? Não em Portugal.

Perder a final do campeonato europeu de futebol? Nem mortos.

Então eis a ideia: que tal um navegador GPS com função de televisão? Genial, não é?

E onde penduramos esta jóia tecnológica? No pára-brisas, óbvio, porque caso contrário não impediria uma correcta visão da estrada.

Mas no pára-brisas onde?
Lado passageiro? Não, demasiado inteligente.
No meio? Já é melhor, mas ainda falta um bocado...
Em frente do volante? Perfeito, este é o lugar dele.

Esta disposição consente conduzir com o olho direito e observar a final com o esquerdo. Para completar seria preciso um par de auscultadores estéreo, para captar mesmo as pequenas nuances do jogo e criar um ambiente mais envolvente.

Petróleo do Brasil: China e Pré-sal

Dada a demanda voraz de energia, a China adicionou o Brasil entres os seus principal parceiros no âmbito petrolíferos, provocando uma rápida expansão dos seus negócios no País sul-americano.

Coisa que é vista por alguns como um factor de dinamismo e por outros como um risco para a futura auto-suficiência .

A China foi o grande investidor petrolífero do Brasil nos últimos três anos através de empresas quais a China Petrochemical Corporation (Sinopec) e a Sinochem Corporation (Sinochem), como afirmado pelo Adriano Pires.

Durante este período, investiu cerca de 15.000 milhões de Dólares, principalmente na compra de activos de empresas que já operam no Brasil nas áreas da exploração e da produção de petróleo, principalmente no fundo do mar, onde o País tem as maiores reservas.

Diz Pires, director do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE):
É uma estratégia da China para garantir as reservas de petróleo para o próprio abastecimento, o mesmo acontece em outros Países latino-americanos como Argentina e Venezuela, e em outras regiões, como a  África.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportação informa que a China pretende aumentar em 60 por cento as reservas estratégica de petróleo, não importa donde o precioso líquido chegar.

O ciberespaço no Utah

Numa pequena e calma comunidade no oeste dos Estados Unidos, onde a maioria dos 7.000 moradores são mórmones, o simpático Obama decidiu implementar a maior central de espionagem alguma vez vista.

A cidade é Bluffdale e fica no deserto e montanhoso estado de Utah, cuja população olha com espanto para o gigante que está em construção com as obras do Corpo dos Engenheiros do Exército.

Esta é a nova poderosa base da Agência de Segurança Nacional (NSA), que se tornará no centro de uma enorme rede mundial destinada a espiar todos os cantos do planeta onde podem estar em jogo os interesses de Washington. Ou seja: todos os cantos do planeta.

Carroll F. Pollett, director da Agência do Sistema de Defesa de Informação (DISA), fica contente como uma criança cada vez que falar do novo centro:
O ciberespaço tornou-se um novo campo de batalha. Adquiriu uma importância semelhante ao dos outros campos, terra, mar, ar e espaço. É evidente que devemos defender e torná-lo operacional
Ciberespaço? Ah pois, estamos a falar daquele que os militares definem como o "quinto campo de batalha".

22 de Maio de 2012

Estadias em Louisiana: tudo pago.

Qual a capital mundial das prisões?

O País com o maior número de presos per capita são os Estados Unidos: resposta óbvia, é o País da Democracia e da Liberdade por excelência. É um pouco como dizer que o País mais "vivo" é aquele com a maior mortalidade infantil.

Mas nos Estados Unidos há uma Estado em destaque: o Estado de Louisiana, a verdadeira capital mundial das prisões.

Este País à beira do Golfo do México tem uma percentagem de presos que é três vezes maior do que o Irão, sete vezes maior do que a China e dez vezes do que a Alemanha. Mais de 1600 pessoas presas por 100 mil habitantes: 1 adulto cada 86 está atrás das grades (1 pessoa negra em cada 14, porque o racismo é algo ultrapassado).

Dito assim, a Louisiana parece um inferno: criminalidade imparável, bandidos por todos os lados, velhinhas assaltadas em pleno dia. Ou talvez uma polícia particularmente repressiva.

Mas não, a explicação é outra: as prisões são privadas.

Entre os mais antipáticos

Clique para ampliar!
A cada ano a BBC (a televisão do Reino Unido) entrevista 24 mil pessoas no mundo para tentar perceber quais as tendências, qual o "clima" entre os seres humanos.
Isso para descobrir quais os temas mais interessantes que podem ser tratados nas transmissões de aprofundamento (que, lembramos, são depois seguidas um pouco em todo o mundo).

As perguntas deste ano estavam relacionadas com a maneira com a qual as pessoas observam e "sentem" a influência de outros Países. E os resultados apresentam algumas surpresas.

Assim, eis que entre os Países mais "antipáticos" aparecem os óbvios Coreia do Norte, Irão e Paquistão. E israel.

Israel? Ah, pois. O que é esquisito, porque enquanto Irão e Coreia são alvo de ferozes campanhas de propaganda, israel pode contar com as enormes quantias de dinheiro disponibilizadas pela Agência Sionista de New York, o budget publicitário dedicado ao turismo, a posição sempre "a favor" dos media, a actividade das lobby e, claro está, o Holocausto.

O futuro? Risonho...

Antigamente, para conhecer o estado de saúde da economia mundial, olhava-se para Washington. Hoje não, observa-se o que se passa em Pequim.

O problema é que a China é ainda um objecto "misterioso": aquele sistema capital-leninista é de difícil interpretação.

Por exemplo: no primeiro quadrimestre deste ano esperava-se que a China alcançasse um ponto particularmente baixo da própria economia, mas isso não aconteceu. Mesmo assim, se o País fosse "normal", os alarmes já teriam começado a tocar, fortes e claros.

Todos os principais indicadores da oferta monetária mostram sinais de crise. As transacções caíram para níveis nunca vistos desde a estagnação no final dos anos 90

Os dados M1 (o total da moeda circulante) de Abril são os mais baixos registados nos tempos modernos: uma contracção mais rápida daquela observada na crise de 2008-2009, mais rápida daquela actualmente em curso em Espanha.

21 de Maio de 2012

Dívida Pública: não é um problema (pelo contrário!)

O Leitor ainda não está convencido.
Eu sei: continua a pensar que a Dívida Pública seja um monstro de sete cabeças que mata o Estado.

Normal: dum lado continuamos a chama-la "dívida" o que, por definição, é uma coisa negativa.
Doutro lado, é só ligar a televisão ou ler um diário para encontrar o culpado: a Dívida, o Excesso de dívida, as Despesas sem limites, etc. etc.

Então venha comigo o Leitor. Venha comigo porque juntos vamos ler não a opinião deste blog (que, afinal, é escrito por quem economista não é) mas a opinião dum economista verdadeiro. Venha comigo ao encantado mundo da Economia para descobrir coisas maravilhosas que os media ignoram mas que os especialistas bem conhecem.

Abracadabra.
E acabamos de entrar no mágico blog de Alberto Bagnali, professor de Política Económica da Universidade Gabriele D'Annunzio de Pescara, Italia.

Dá lições de Economia e Política da Globalização, é pesquisador no Centre de Recherche en Economie Appliquée à la Mondialisation da Universidade de Rouen, França. Costuma publicar artigos em revistas especializadas como China Economic Review, Economy Modeling e outras.
Resumindo: é suposto perceber alguma coisa de Economia.

Bagnali utiliza o exemplo da Italia. Óbvio, o dele é um blog italiano. Mas os conceitos são universais e podem (e devem) ser aplicados no contexto geral.

Dia 9 de Julho: DNSChanger

No próximo dia 9 de Julho, o FBI (Federal Bureau of Investigation) "cortará" todos os computadores do mundo infectados pelo vírus DNSChanger.

Parece um filme de ficção científica e as implicações não são poucas. Uma entre muitas: quem autoriza o FBI a "cortar" os computadores do planeta?

Vamos em frente.
DNSChanger é um maleware capaz de modificar os parâmetros dos DNS e ré-endereçar as visitas dos computadores infectos.

O que é o DNS?

DNS significa Domain Name Server. Um exemplo simples: se na barra dos endereços escrevermos 74.125.224.72 o resultado será a abertura da página de Google. Pois aquele número é um dos muitos endereços IP de Google.

Se o DNS não existisse, seria preciso lembrar cada vez o número em vez de poder escrever http://www.google.com. Uma seca, sem dúvida.
Podemos pensar no DNS como algo que traduz o "nome" duma página web num endereço IP e permite, portanto, a conexão.

Ttragédia grega: último acto?

Quase. Quase quase. Não falta muito.
A tragédia grega que o blog seguiu desde o começo está preste à acabar.
Até que enfim.

Vai ser complicado e ainda não sabemos o que pode significar: mas não pode ser considerado como um acontecimento "local", isso é claro.

Não é o futuro de Atenas ou da Europa que está em jogo, é mais do que isso. A falência da Grécia evidencia o fracasso duma inteira gerações de políticos e economistas espalhados pelo planeta.

O "Turbo-Capitalismo", o "Liberalismo", como foi definido, mostra todos os seus limites.
Isso para não falar da Zona NEuro e das Mentes Pensantes de Bruxelas, emanação directa duma visão alucinada que encontra as próprias origens nos prédios de Wall Street e numa amalgama bem pouco homogénea feita de Capitalismo corrupto, fascismo corporativo, uma pitada de Orwell e uma de Comunismo.

19 de Maio de 2012

Platão e a República - Parte I

De esquerda: Sócrates, Cerezo, Platão
Meus senhores, vamos aqui falar duma das obras imortais da Humanidade.

A Bíblia? Não.
Playboy? Também não.
Vamos falar da República. Mas qual delas? É que há muitas.
Mas a nossa é só uma: a República de Platão.

Pensará o Leitor: "E onde fica esta? Nunca tinha ouvido...".
Não, querido Leitor, a República de Platão é uma das tais obras imortais. E chama-se assim porque foi escrita por Platão.
Platão, este homem que tanto fez pela banda desenhada.

Mas antes de começar, vamos conhecer Platão, filósofo, astrónomo, jornalista, arrumador no parque da Acrópoles nos feriados.

Vida de Platão

Platão nasceu em Atenas de família nobre. Wikipedia afirma que Platão nasceu no 428/427 a.C.
Há por isso duas hipóteses:
  1. ou Platão começou a nascer perto da meia-noite do 31 de Dezembro de 428
  2. ou as fontes históricas não conseguem estabelecer uma data certa.
A escolha, como sempre, é do Leitor.
O pai tinha entre os antepassados o rei Codro enquanto a mãe estava aparentada de Sólon.
Irmãos de Platão eram Adimanto, Glaucão e Potão. Já chamar-se Adimanto ou Glaucão não é o máximo, mas Potão...

18 de Maio de 2012

Segundo os planos: a contagem regressiva

E acabamos a semana com as notícias divertidas da União Europeia.

As instituições do Velho Continente estão a apodrecer e estudar cenários para uma bancarrota na Grécia, segundo o comissário europeu do Comércio, Karel de Gutch, numa entrevista ao diário De Standaard:
Há um ano e meio, talvez houvesse o perigo de um efeito dominó, mas hoje em dia há, quer no Banco Central Europeu quer na Comissão Europeia, serviços que estudam os cenários de emergência ou para o caso de a Grécia não se aguentar
Tradução: há um ano e meio havia o perigo da Grécia sair do Euro, hoje as probabilidades aumentaram e muito.

Será por causa disso que os cidadãos do País helénico fazem a fila nos bancos para retirar o dinheiro das contas? E será por causa disso que o mesmo parece começar em Espanha também?

O Governo alemão já veio dizer estar preparado para todas as eventualidades
O Governo alemão é, naturalmente, responsável perante os seus cidadãos por estar preparado para qualquer eventualidade
Tradução: Sim, a Grécia vai sair. E nós que podemos fazer?

Angela Merkel, a chancelera alemã, ligou para Atenas e disse ao presidente grego Carolos Papoulias que a solução melhor seria formar um governo estável após as eleições legislativas.
Também acrescentou que as rosas florescem em Maio e que a água molha, pelo que Atenas agradeceu a entrega de tamanha sabedoria, ainda por cima sem juros.

O Grupo dos Trinta - Parte II


Segunda e última parte do artigo dedicado ao Grupo dos Trinta.

O resultado de quanto dito até aqui: a oportunidade de entender e controlar a destrutividade dos Derivativos apresentou-se no início da década dos Noventa. O Grupo dos Trinta foi o principal actor na operação para tornar inútil qualquer tentativa de trazer sob controle público estes assassinos financeiros, cujas consequências bem conhecemos.

Vamos ver alguns dos nomes.
Apenas alguns, é suficiente.
São estas as pessoas que arruinaram a vida de centenas de milhões de famílias, milhões de empresas, das democracias dos principais Países ocidentais, para não mencionar os horrores do Terceiro Mundo e o Ambiente.
Estes senhores (não sozinhos, claro, há outros também) criaram e defenderam um dispositivo termonuclear fora de controle hoje representado por 650.000.000.000.000 de Dólares de Derivativos que pode arrasar o planeta.
Este senhores perpetraram um golpe financeiro único na História.

As très gaiolas

Difícil rotular Salvatore Brizzi.

Pode ser considerado um filósofo, um escritor, um divulgador.
Brizzi trabalha para uma nova sociedade, para que o Homem não continue a seguir ídolos. Para que possa ser um monge-guerreiro numa sociedade tradicional, onde o Sagrado (não em termos religiosos) volte a acompanhar o desenvolvimento cultural e tecnológico do planeta.


Brizzi é várias vezes hospede do Blog de Beppe Grillo, o mesmo Grillo que está na base do Movimento Cinque Stelle, o mesmo que abalou o castelo de papel partidário nas últimas eleições italianas.

As Três Gaiolas do Homem

O Homem vem ao mundo com uma expressão surpreendida. logo aprende a gostar desta nova realidade: mas nós sabemos, desde a infância.
Acontece que lhe será negada esta grande obra-prima da Natureza, este espantoso mistério que é o ser humano: será implacavelmente, violentamente desmantelado e reduzido a um papel, será apenas um contabilista, um estudante, um marido, um funcionário, um Papa, um presidente, na procissão dos papéis que mantêm prisioneiros todos os seres humanos.

Culpados

Onde estará o Leitor?
Onde estará cada um de nós?
Onde será possível pôr os olhos? Com qual cara?

Será altura para esconder-se na sala, em frente à televisão? Quando os filhos estiverem envenenados, com uma vida miserável, tensos, abatidos. Quando já não houver esperança? Quando o futuro for das gerações que terão de pagar pelos nossos erros?

Quando o futuro estiver nos sonhos das lotarias. Quando o trabalho for fonte de traumas, de litígios em famílias. Quando não for possível dizer o que passa pela cabeça.

Não é assim que o Leitor sonha o futuro dos próprios filhos, claro que não. A escola, a universidade, o trabalho, o matrimónio, os netos. Não uma vida onde será cada vez mais fácil ficar doentes, porque o corpo tem que desabafar de alguma forma. Não uma vida onde à noite se mergulha na almofada para não fazer ouvir as lágrimas.

Tem que ser...ao longo de alguns meses

Leitores! Amigos! Parentes! Camaradas! Companheiros de mil batalhas (?)! Outros!

É com o coração que pinga dor, como uma flecha sangrenta após ter perfurado a cândida alma, que tenho de anunciar o seguinte: ao longo das próximas luas Informação Incorrecta vai mudar.

Não, não chorem por mim!  De facto, menos tempo terei, pelo que o destino já ditou as regras: artigos mais curtos, ou artigos mais leves ou até...ausentes!!!

Será que Informação Incorrecta vai fechar? Será que o pesado pano da ignorância cala de maneira definitiva sobre o grande livro da sabedoria?

Não, meus amigos, nada disso, podem descansar em paz.
O blog vive e viverá. É o tempo que é tirano e outras obrigações exigem a minha presença.

Eu sei, entendo e junto-me aos vossos lamentos: "Porquê? Porquê destino cruel, porquê mesmo agora?".
Em verdade, em verdade vos digo: tem que ser.

Nas imagens à direita, alguns Leitores que conheceram em primeira mão a horrível decisão.

Mas para que não fiquem dúvidas, eis uma série de fucks...ops, queria dizer: faq's.

FAQ's

1. Ouvi dizer que o blog vai fechar, é verdade?
Não, o blog não fecha.
2. Certeza?
Sim, certeza.
3. E porquê não?
Porque não quero que feche, ora essa.
4. Então porquê vai abrandar?
Porque Max vai estar empenhado num novo projecto.
5. Qual projecto?
Coisas pessoais.
6. Podemos saber?
Não, ora essa.
7. Porque não dizes o que é? Será algo ilegal?
Não, nada de ilegal, que ideias...
8. Algo ligado à ufologia?
Mas qual ufologia...
9. Algo ligado à publicação de obras?
Já disse: assuntos pessoais.
10. Algo ligado ao mundo da música?
Ainda? Assuntos pessoais.
11. É verdade que Max estará empenhado na reedição de Rin-tin-tin, com Leonardo na parte do cão inteligente e Max naquela do miúdo estúpido?
Não, nada de Rin-tin-tin.
12. O blog fecha?
Outra vez? Não!
13. Quando voltará à normalidade?
No prazo de poucos meses.
14. Depois fecha?
Credo! Não, não fecha, ponto final.
15. Mas que acontece entretanto?
Nada, haverá menos artigos, só isso.
16. E quais assuntos serão tratados?
Mais ou menos os do costume.
17. Que significa "mais ou menos"?
Significa que talvez seja boa altura para tratar de assuntos que normalmente não são aprofundados. Mas sem esquecer a economia.
18. Mas porque estás a contar isso?
Que dizer, os Leitores habituaram-se a certos ritmos, se algo muda acho bem explicar o que se passa.
19. Achas que alguém está interessado?
Não sei, talvez.
20. Mas depois fecha?
!!!

Resumindo...

A palavra passe é: resistam poucos meses.

Último esforço antes da "paragem": Platão, pois ficou prometido. E talvez uma história do mundo num único post :)

Ah: é uma boa altura para que sejam os Leitores a escrever algo, não esqueçam...


Ipse dixit.

Informação Incorrecta no Twitter

Até que enfim...

Configurei Twitter para que sejam publicados os post do blog sob-forma de Tweet.
Espero funcione.
Portanto a novidade é que agora é possível seguir o blog também via Twitter.
Ohhhhh....

A página de Informação Incorrecta é...olhem ,boa pergunta...
Bom, o perfil é InfoIncorrecta. Se calhar é suficiente.
Não sei.

Mas porque uma pessoa deveria seguir o blog no Twitter?
Também isso não sei.


Ipse dixit.

17 de Maio de 2012

É o Haarp!

Nãoooo, por favor, não, não Russia Today também...
Mas sim, é mesmo Russia Today. Que fala do Haarp. Tinha que ser.

Há um terremoto? É o Haarp.
Inundação? É sempre o Haarp.
Está calor? Deve ser o Haarp.
Frio? Mesma coisa.

Neste caso é a neve na Bósnia. Culpa de quem? Adivinhe o Leitor...


Então: é o Haarp?
Sim, sem dúvida. Eu pessoalmente não tenho dúvidas e até encontrei mais provas.
Onde? Em Italia.